Deixamos 2 dias em nosso cronograma reservados para visitar Kyoto, mas mantendo Osaka como base pois as cidades são bem próximas (40Km de distância) e de Shinkansen são apenas 14 minutos separando as estações. Acabamos conseguindo visitar 3 lugares no mesmo dia que estavam em nossos planos e no fim optamos por deixar apenas este dia para Kyoto. Um fato que contribuiu para isso é que achamos a cidade muito cheia de turistas (era óbvio mas não esperávamos tanto, além de alguns serem mal educados) e os ônibus utilizados para conectar os pontos turísticos eram bem cheios.
Para começar, muitas pessoas se espantam ao chegar na estação de Kyoto pois ela é enorme e bem futurística, contrastando com a imagem que muitos tem da cidade mais tradicional do Japão.
A estação foi projetada pelo arquiteto Hiroshi Hara, o mesmo do Umeda Sky Building que falamos no post anterior, e entregue em 1997.
Uma longa escadaria dava acesso a um mirante. Infelizmente não exploramos muito a estação pois saímos rapidamente para dar tempo de visitar os lugares que planejamos.
Foi curioso deparar com uma loja chamada "Suvaco" na estação...Outra coisa que nos chamou a atenção em várias cidades do Japão foram as escadas rolantes pois vimos de vários tipos. Pequenas, longas, curvas e algumas que eram escadas e viravam esteiras e depois viravam escadas rolantes novamente.
Logo na frente da estação fica a Kyoto Tower com seus 131 metros sendo o edifício mais alto da cidade. A torre foi inaugurada em 1964 e oferece uma visão em 360º da cidade. Resistimos à tentação de conhecer e seguimos com nosso cronograma.
Na saída da estação compramos um passe de ônibus de um dia que dava direito a andar sem limite em várias linhas que ligavam os principais pontos da cidade. Mas como comentamos antes, eles sempre estavam lotados devido ao grande número de turistas.
Kinkakuji
O primeiro ponto que escolhemos foi o Kinkakuji, que muitos já devem ter visto fotos ou pelo menos ouvido falar. Todo o templo é coberto por uma camada de ouro e está construído na beira de um grande lago.
O templo foi originalmente construído em 1393 e foi queimado inúmeras vezes sendo o episódio mais recente em 1950, provocado por um monge com problemas mentais. A última contrução é de 1955.
Ele é muito bonito mas pelas fotos que eu já havia visto tinha a impressão de que era muito maior. De perto a contrução não parece ser tão imponente. Mas não deixa de ser muito belo. Não é possível entrar nele e os visitantes apenas passam próximo e tiram fotos de longe mesmo.
Ao entrar no jardim segue-se um caminho passando por outros pontos como uma casa de chá e uma vendinha que oferece omamoris (amuletos). No final existem algumas máquinas de bebidas e aproveitamos para matar a sede. Uma dica é pegar o Calpis nas máquinas que vendem bebidas em copos. Ele é muito mais concentrado e saboroso. Você aperta o botão e em alguns segundos a bebida é preparada e entregue com cubos de gelo.
Tetsugaku no Michi (Caminho do Filósofo)
Depois do Kinkakuji seguimos para o local chamdo Tetsugaku no Michi ou Caminho do Filósofo. Uma rota repleta de cerejeiras, à beira de um canal, entre dois templos, o Ginkaku-ji e o Nanzen-ji.
São aproximadamente dois quilômetros de um caminho muito belo. Este local é chamado assim pois era nesse passeio que o filósofo Nishida Kitaro, considerado o mais importante filósofo japonês do século passado, meditava diariamente.
A ápice da florada já havia passado mas ainda restavam algumas cerejeiras que coloriam o caminho. O canal tinha uma água bem cristalina e limpa, sem nada boiando, com exceção das pétalas de sakura. Nos canais e córregos daqui encontramos sofás, pets e tudo mais que puder imaginar :(
É um caminho muito agradável de se percorrer. Filosofar ali não deve ser tão difícil...
No caminho vimos muitos casais, tantos jovens quanto de idosos. Muitos japoneses tirando fotos e pintando também, como já encontramos em outros lugares.
Por incrível que pareça vimos pouquíssimas opções para comer. O que mais vimos foram lojas de doces! Na dúvida optamos por provar o moti que um senhor vendia na frente da sua residência (na subida que leva ao templo). Havia vários recheios e provamos o de kuri (castanha) e o de custard ou kasutado como os japoneses falam (creme). Valeu muito a pena pois foi o melhor moti que já comemos até hoje. Tanto a textura do moti quanto do recheio. Vale a pena ficar de olho e se ele ainda estiver lá não pense duas vezes!
Na próxima semana a segunda e última parte do passeio por Kyoto.